“SLA” DE AVIÃO
No início deste artigo lembro dos meios de transporte mais comuns atualmente….
A pé
Conhecemos muito bem nossa capacidade e nossas limitações para encararmos uma caminhada. A segurança que sentimos quando andamos, está diretamente relacionada ao volume de informações que temos sobre nós mesmos, e que é bastante grande.
Bicicleta
É um meio de transporte com o qual muitos de nós tem intimidade, a ponto de desmontarmos, montarmos, executarmos reparos de emergência e até saber para que serve cada parte e cada peça, como funciona, se há como melhorar aqui ou ali.
Motocicleta
É a evolução da bicicleta, que nos oferece mais conforto e rapidez contra menos esforço ao conduzi-la. Conhecemos vários modelos, sabemos sobre potência, consumo, modos de pilotagem em diversas condições e terrenos.
Automóvel
Este é um velho conhecido também, chegando a ser adorado pela maioria dos homens e até pelas mulheres. Uma paixão para muitos. Verdadeiros objetos de desejo, mesmo que as condições para utiliza-los envolva o trânsito caótico das cidades, ou os congestionamentos nos finais de semana prolongados. Nos esforçamos para saber quase tudo sobre eles, sua ficha técnica, performance, comparação com outros modelos, expectativas sobre novos lançamentos, o porque dos preços altos ou baixos, etc…..
Onibus e Trem
Meios de transporte urbano comuns e de grande serventia nas grandes cidades. Considerados pelas classes sociais menos privilegiadas como boas alternativas para viagens longas, apesar de não termos conhecimento sobre detalhes técnicos, como temos de um carro por exemplo. Alguém sabe o preco de custo de um trem ?
Navio
Opção bastante atraente para férias curtas, pois tem sido pouco utilizado para longas viagens. Os cruzeiros de curta duração são disputadissimos pela população de paises como o Brasil, por exemplo, mas não temos a menor idéia sobre as informações técnicas de um navio de grande porte. Sabemos, no máximo quantos passageiros suporta, numero de tripulantes, e se o pacote conempla “all inclusive”….
Avião
Meio de transporte preferido dos executivos para viajar, seja a trabalho ou férias com a família. Quanto às informações sobre as aeronaves, procedimentos de voo, controles aéreos e terrestres……, muitos não sabem sequer a capacidade da cabine de passageiros. Mesmo quando a frota já foi bastante utilizada, embarcamos e aguardamos ansiosos a hora da decolagem.
* Agora vou mudar completamente o assunto para estabelecer uma linha de raciocínio mais adiante….
Serviços de TI
Os responsáveis pelas áreas de TI das empresas exigem o maior número de detalhes possível para analisar se vale a pena investir em cloud computing ou continuar naquele velho e conhecido modelo definido a vários anos.
Nada contra, pois esse é o papel de quem tem a responsabilidade de orientar a empresa sobre os rumos da TI…… , mas acontece que muitos estão exagerando, resistindo bravamente a um modelo de negócio que já é praticado a muito tempo em outros segmentos, e com resultados cada vez mais expressivos do lado de quem contrata tais serviços.
Por que um acordo de SLA com um fornecedor de serviços tem que chegar próximo daquilo que a própria instalação atual da empresa onde trabalha o profissional de TI, nunca vai alcançar ?
Porque o fornecedor deve detalhar ao máximo o “como funciona”, quando a proposta é entregar como serviço apenas o “resultado do como funciona” ?
Comparação
Este mesmo profissional de TI, que vasculha os mínimos detalhes para contratar um serviço sob o conceito de cloud computing, alegando principalmente a questão da segurança das informações da empresa onde atua, quando sai de férias com a família, entra no primeiro avião, equipamento do qual ele não tem nenhuma informação e sequer sabe se há ou não um acordo de SLA incluido no serviço que comprou !
Porque este profissional não viaja com seus entes queridos utilizando um meio de transporte cujas informações ele conhece muito bem, e portanto deveria se sentir muito seguro, como uma boa caminhada por exemplo ?
Achar que a distância e o tempo pesam na escolha, e que o risco ao qual expõe sua família e a sí próprio vale a pena em virtude do resultado final prometido, não é uma decisão lógica e muito menos aceitável.
Me parece bastante estranho que, ao contrário do tratamento que dá para sua família, este profissional não quer correr risco nenhum na empresa, mesmo que a promessa contenha um resultado interessante para a mesma.
Antes de perguntar qual é a culpa do fornecedor de serviços de TI por tais profissionais raciocinarem desta forma, é mais sensato perguntar se os recentes avanços em TI estão comprometendo nosso julgamento e bom senso a respeito das coisas que nos cercam ?
O CIO e a Nuvem …. parte 2/2
Já é sabido que os CFOs estão cada vez mais participando das decisões que envolvem TI. Muitos deles, a exemplo dos cientistas da indústria farmaceutica que foram aprender marketing para redigir bulas de medicamentos, estão se familiarizando com o assunto Tecnologia, e isso é muito bom e bem vindo para a alta administração, pois muitas empresas ainda não entenderam os custos do Bug do Milênio.
A tal da “caixa preta” tem que ser mencionada sim. E ela existe até para o CIO, que muitas vezes não usa ferramentas adequadas para “gerir sua área como negócio”. Os indicadores são outros.
É o momento dos nossos CIOs pensarem sobre o “negócio empresa”, e para isso é obrigatório buscar conhecimento sobre outras áreas, afinal adquirir conhecimento é diferente de adquirir licenças ou storage, porque não ocupa espaço, a segurança está sob controle, o backup pode ser produzido na forma de resultados, além de ser elástico, escalável e de fácil disponibilização/multiplicação – exatamente como cloud computing.
O assunto computação em nuvem tem ressucitado alguns pontos que pareciam estar definitivamente enterrados, e a segurança dos dados na infra-estrutura própria é um deles. De que adianta a nuvem ser pública ou privada quando falamos em “consumerização”?
Apartir o momento em que os dados são disponibilizados para o profissional num device móvel, pouco importa a origem. Temos então mais alguns ingredientes que não são físicos, passíveis de investimento material. Será que aqui devemos envolver também o pessoal de RH?
Quem pode responder com absoluta certeza que invadir um datacenter é mais fácil que invadir um servidor de e-mail interno ?
No ano passado, num evento em São Paulo, o Cassio Dreifuss, do Gartiner, divulgou uma pesquisa que colocava o Brasil no topo das aplicações de cloud computing em uso já em 2011. Isso não aconteceu. Da mesma forma, leio todos os dias que um percentual considerável de empresas brasileiras já adotaram cloud !
Como isso é possível se todo mundo continua com os sistemas básicos comuns a todos, instalados nos PCs ?
A maioria dos aplicativos e sistemas no mundo está na plataforma Windows, e a Microsoft ainda engatinha quando o assunto é cloud computing corporativo.
Quantas dessa empresas trocaram seus PCs por thin clients para acesso exlusivo ao datacenter via web?
Será que continuam utilizando a mesma rede interna com cabeamento estruturado que utilizavam a 10 anos atrás e apenas trocaram o nome para “nuvem privada”, da mesma forma que alguns datacenters mudaram o nome de seus serviços para Cloud Isso ou Cloud Aquilo?
A bem da verdade, no mundo real é impossível saber o que está instalado em cada máquina de usuário final, quanto há de espaço em disco disponível realmente em toda a empresa (PCs + servidores + storage), e dai pra frente….
Algumas afirmações estariam corretas se cloud computing significasse apenas ter um serviço de e-mail fora de casa, ou acesso a um ou outro aplicativo específico via web como um CRM por exemplo.
Acontece que cloud computing significa algo muito além de onde estão os dados e sistemas, e de como vamos acessá-los. O conceito gira em torno de praticidade, de velocidade de implementação, de controle de recursos, de custo-benefício total em relação ao modelo tradicional. Trata-se trazer toda empresa para opinar e, de certa forma, co-responsabilizar todos os profissionais em torno da implementação do conceito.
Afinal de contas, todos querem mobilidade, todos querem velocidade, alguns querem retorno imediato, outros querem mais informações e muitos já querem utilizar o seu próprio device…vejam só isso !
Até pouco tempo atrás não imaginávamos comprar um equipamento pessoal e colocá-lo a serviço da empresa. Com o modelo atual de investimento em hardware já estamos utilizando algo obsoleto quando nos é disponibilizado um smatphone ou um tablet, porque poucas empresas no mundo vão trocando os equipamentos na medida em que são lançadas novas opções no mercado. E tem gente que ainda reclama da tal “consumerização” !
Conluindo, a fila de coisas para os CIOs resolverem está cada vez maior, e a algum tempo tais coisas estão exigindo conhecer e considerar os processos e principalmente os resultados almejados pelas outras áreas da empresa……. O que não vale é dizer para o Cássio o que foi dito em 2010.
O CIO e a Nuvem …. parte 1/2
No passado o administrador de uma transportadora era, na grande maioria dos casos, ex-caminhoneiro. Isso acontecia também com outros segmentos do mercado, como por exemplo:
“CEO de hospital era médico, CIO era ex-programador de sistemas, CFO era ex-contador, e assim por diante”.
Não quero aqui tirar o mérito daqueles que buscaram conhecimento para subir os degraus até chegar ao topo. Lembro que um pouco antes de iniciar um MBA em Marketing, tomei conhecimento que a indústria farmaceutica estava empenhada em colocar médicos e cientistas dos seus quadros para aprenderem nada mais nada menos que Marketing e Comunicação, pois até então, as “bulas” dos medicamentos continham informações puramente técnicas, e não fazia sentido encaminhar tais textos para os consumidores, porque eles não entenderiam nada. Vale a pena lembra que, quando precisamos decidir sobre algo importante, se não entendermos a receita, dificilmente vamos adotar-la. Em condições normais, isso é valido para todos os segmentos da vida.
Hoje em dia, ainda existem algumas áreas que mantém usos e costumes ultrapassados aos olhos do grande público. Com certeza a área jurídica é uma delas, seja por força da lei ou da origem das próprias instituições. Nossas regulamentações legais tem artigos ultrapassados e até de aplicação impossível. Sob o aspécto comunicação, pergunto:
O que entende um cidadão comum, quando assiste um debate do Supremo Tribunal Federal?
E quando este mesmo cidadão lê um simples despacho de um Juiz num processo trabalhista?
O assunto pode lhe interessar e até lhe envolver diretamente, mas precisará de ajuda para entender o que se passa.
Em tempos onde uma das palavras de ordem é “colaboração”, é difícil participar e contribuir quando aprendemos e utilizamos técnicas que foram desenvolvidas no passado em situações e ambientes que já não existem mais.
Provavelmente a explicação para a evolução de determinadas áreas do conhecimento está justamente na iniciativa de se abrir as portas para a colaboração, e ainda posso ir mais longe e citar a experimentação, afinal os grandes e recentes avanços em TI foram disponibilizados para o mundo inteiro em “modo beta”.
Este preâmbulo todo, é para chegar ao ponto central deste artigo que divido em duas partes, e onde quero discorrer um pouco sobre o que acredito estar acontecendo com as áreas de TI nas empresas brasileiras, em relação ao fenômeno cloud computing.
De um lado temos alguns CIOs, buscando proteger seus antigos domínios, e citando sempre a segurança da informação como principal obstáculo para adoção do novo conceito. Deste mesmo lado também encontramos profissionais de áreas correlatas buscando apoio na legislação com a mesma preocupação – segurança, mas estes pensam em direitos de propriedade dos dados, cessão parcial para armazenamento remoto em outros países, etc…
Do outro lado temos uma verdadeira multidão, aguardando decisões que podem mudar a forma de trabalho pra melhor, facilitar o dia a dia, contribuir para resultados mais rápidos e expressivos, testar novas teorias e novas idéias. Um contigente enorme de pessoas querendo contribuir para que o negócio da empresa dê certo.
Várias pesquisas citam a segurança como o vilão da utilização de cloud computing nas empresas. Ocorre que há também dados extraídos destas mesmas pesquisas, que confirmam a intenção, no curto e médio prazo, destes mesmos CIOS trabalharem sob o conceito de nuvens computacionais.
Neste ponto já temos informação suficiente para refletir um pouco:
- Como eles conseguem definir um prazo para implantar algo que ainda não conhecem o suficiente e/ou desconfiam do modelo ?
- Será que pensam em utilizar a concorrência como laboratório para a questão da segurança ?
- Será que estão temerosos em relação a outras situações não citadas nas pesquisas?
Continua na parte 2/2
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